Tudo começou em 1999, aos 21 anos de idade. Nessa época eu morava em Recife-PE e trabalhava na Price, uma multinacional no ramo da auditoria. Eu andava meio tensa, é verdade, e isso fez com que a minha mãe me estimulasse a fazer um curso de pintura que seria iniciado naquela semana. Foi quando tive meu primeiro contato com as tintas. Um curso de pintura em tecido que fiz com Dora Zuanella e que mudou o meu destino! Até então eu nunca havia experimentado a arte e até achava que não levava muito jeito. Mas a vida tem seus mistérios e quando me vi estava lá, ouvindo a minha queridíssima mestra Dora. À medida que ela falava e pintava à minha frente, um verdadeiro fascínio tomava conta de mim. Uma paixão desenfreada foi me consumindo e tomou conta de todos os meus sentidos! E naquele momento eu soube que a tinta faria parte pra sempre da minha vida. Sabe aquela sensação quando se conhece alguém e se tem a impressão de que vocês se conhecem há anos, tamanha afinidade? Foi isso que aconteceu entre mim, o pincel e a tinta. E pra exemplificar, basta dizer que após a primeira aula pintei uma roupa para usar num casamento que seria naquela mesma semana. Isso eu devo a Dora. O amor dela pela arte me contaminou. Peguei o “vírus da cor”! Comecei a pintar todos os dias na mesa da sala de jantar da casa dos meus pais. Ai esses meus pais... Como tiveram paciência com a desordem durante esse início de carreira! Fora o incentivo e apoio incondicional, inclusive quando, em 2000, resolvi deixar a auditoria para dedicar-me mais à pintura. Quando tomei essa decisão, fiz uma viagem por um mês e quando cheguei... SURPRESA! Eles tinham reformado a sala de TV e transformado em um atelier. Deu pra sentir o naipe desses pais? Seu João e Dona Naira são demais! Não posso deixar de falar nos meus irmãos Cacau e Beto (e cunhada Mara), que sempre admiraram e apoiaram meu trabalho, prova disso é que suas casas são praticamente uma exposição permanente das minhas pinturas. Mas voltando a 2000... Aconteceu outro daqueles momentos mágicos. Um curso de Batik que fiz com Mila Andrade em um dia apenas. Nunca vou esquecer o que senti quando vi a tinta desviando a parafina pela primeira vez. Foi arrebatador! Essa aula definiu o estilo que sigo até hoje. Passei a pintar painéis, luminárias e telas com essa sensacional técnica do Batik (o batik é uma técnica indiana que consiste na sobreposição de cores e utilização da parafina derretida como isolante. Ok, é mais fácil entender vendo do que lendo). Bem mais tarde fiz um curso de pintura em seda pura, com Denise Meneghello em São Paulo. Do quarto passei para uma sala comercial no prédio vizinho, onde produzi muitas encomendas para lojas de Fernando de Noronha, Porto de galinhas, Maceió, e comecei a fazer um trabalho na Casa da Criança, que é o nome da FEBEM em Recife. Por um ano trabalhei com os jovens e tivemos bons resultados. Mas em 2002, resolvi mudar tudo. Dei um tempo nas tintas e mudei-me para Brasília, minha cidade natal, para trabalhar numa empresa de minha família, no ramo dos alimentos ORGÂNICOS. É claro que não consegui ficar muito tempo longe da pintura e já em 2003, com o apoio da minha amiga e Relações Públicas Déborah Santa Cruz, fiz minha primeira exposição em Brasília, chamada “Tons de LuWa”, onde pintei basicamente instrumentos musicais e homenageei músicos em sua maioria brasilienses, batizando seus nomes nas telas. Procurei conciliar o trabalho com a pintura. Em 2006 criei as estampas das camisetas vendidas na campanha do Mc Dia Feliz e desenvolvi 3 artes para uma campanha da Visa. Foi aí, por intermédio da pintura, que conheci o Ijaia, que me deu grande apoio, e por seu intermédio conheci o Jorge Ferreira, um importante empresário do ramo gastronômico de Brasília. O Jorge havia recém inaugurado o encantador Mercado Municipal de Brasília e, quando viu meu trabalho, ofereceu-me um belo espaço para montar uma loja com produtos estampados com a minha arte. Aceitei o desafio e criei diversos produtos, desde camisetas e aventais até latas e cadernos. Fora as telas, é claro. Nutro um enorme carinho e gratidão por esse grande empresário e querido amigo, que mesmo conhecendo-me tão pouco, confiou-me esse espaço, que foi o “Atelier LuWa no Mercado”. Mas, em 2008, tive que deixar o atelier do Mercado para mudar-me para Campo Grande, Mato grosso do Sul, percorrendo uma importante etapa do rio de minha vida. Passei um ano em Campo Grande, cidade que gostei desde o primeiro contato e onde realizei trabalhos e 3 exposições individuais. Hoje estou de volta a Brasília. Tenho trabalhos expostos na cidade e continuo atendo demandas de outros estados. Meishu-Sama, filósofo japonês e meu mestre espiritual, diz que o artista tem uma grande responsabilidade social, pois ele impregna sua obra com o seu sentimento, que consequentemente é transmitido às pessoas que a apreciam. Acredito muito nisso. O meu objetivo com a arte é que minha obra transmita alegria e bons fluidos para todos aqueles que a contemplam. LuWa 2009